Quando convém fazer um plano de previdência?

Chegamos aos dois últimos meses do ano. Época que, para os bancos comerciais é marcada pela campanha de planos de pensões. Onde por mais que se esforcem as redes comerciais por tentar antecipar as contribuições, tornam-se quase dois terços de todas as assinaturas de planos de pensões do ano.

Se você der uma volta por qualquer banco nestas datas, verá que são papéis de parede de publicidade de planos de pensões, com ofertas atractivas por transferir o seu plano de pensões a partir de outro banco e um amplo catálogo de presentes por abrir um plano e dar dinheiro.

Há pouco li um artigo com um titular que afirmava que deve ser proibido de pagar o dinheiro para fazer um plano de previdência. Bom, no final, no fundo de todo este processo que se move em torno da indústria bancária e a economia da aposentadoria, o que é claro é que é um grande negócio para a banca comercial e não tanto para você como investidor.

É tão marcante, que dê para trás. E de fato, se você se aprofunda um pouco e indagas rentabilidades dos planos de pensões dos catálogos dos bancos, você verá que quase ninguém ganha ao seu índice de referência e que as comissões são bastante elevadas.

Com esses dados, sobre a mesa, não é de admirar que exista muita gente que, quanto em seu banco lhe pronunciam as palavras “plano de pensões”, instintivamente exclaman não! É uma espécie de mecanismo de defesa do cliente bancário perante a interessada insistência mal explicada de bancos para vender planos de pensões. Mas não deverá ser tão radical. Vamos ver quando é que pode gostar de fazer um plano de previdência.

Antes de postularte contra os planos de pensões, como dizem alguns, você tem que raciocinar se no seu caso, é aconselhável ou não contratar um plano de previdência.

Vou começar dizendo a si mesmo primeiro que a necessidade de poupar para a aposentadoria e fazer um plano de previdência, não tem por que ir de mãos dadas. São duas coisas que, embora pareça que levam a um mesmo destino, não têm por que convergem para o seu caso.

Eu acho que qualquer pessoa que tenha dois dedos de testa, a estas alturas, sabe que deve poupar para a aposentadoria e que não pode depender no futuro, apenas o que lhe pague o Estado. Consciência da necessidade de poupar para a aposentadoria há. O que não há é a possibilidade de economizar em todos os casos.

Razões e argumentos para ver que não vamos poder viver da pensão pública quando formos velhos, há muitas e de sobra conhecidas. A demografia, as baixas cotações dos salários reais, o crescimento das classes passivas frente à população activa, o aumento da esperança de vida, a incapacidade do Estado para financiar o gato social com o sistema atual, etc., Não quero te dar uma surra com isso.

No entanto, ainda hoje, o Estado tem capacidade para pagar uma pensão pública, que em média representa uma taxa de substituição dos últimos salários cobrados do 73,9%. O Que é bastante bom, tendo em conta que quando se jubiles, em princípio, não terá o mesmo nível de despesa que em outras fases de sua vida.

O que, paradoxalmente, desencoraja muita gente a economizar para a aposentadoria. Enquanto papai Estado uma pensão mais ou menos digna, poderá viver. Mas isso vai mudar rapidamente a partir de 2019, com a introdução do factor de sustentabilidade. Que fará com que a cada ano, as pensões públicas sejam de maior valor. Isso hoje é uma realidade, que se ninguém o remedia, será assim durante muitos anos. Não espere grande coisa da classe política.

De modo que, apesar dos pesados, que são os bancos e que todos sabemos que há que poupar para a aposentadoria, apenas 9,5% da poupança a longo prazo, de acordo com as estatísticas de Inverco, são canalizados através de planos de pensões. Os bancos não nos enganam tudo o que quisessem. Mas nós somos tão cazurros que preferimos autoengañarnos e quem pode, mete um motón de dinheiro a longo prazo em tijolo. Nós amamos os ativos reais que se podem tocar e pisar.

Bom, temos muito o que aprender ainda em que a educação financeira se refere. Mas vamos ao tema dos planos de pensões.

Partindo da base de que eles são todos muito maus, em termos de qualidade de gestão, pagamentos de salários e comissões, mesmo assim, pode ser que se interessam pela economia fiscal. Quando?

Dado que quando se jubiles se rescatas o plano de pensões (porque faz falta para viver), este tributará como rendimento de trabalho, só se interessará poupar para a aposentadoria quando seus rendimentos estejam acima da pensão máxima. Que ronda os 36 000€ anuais.

Apenas nesse caso e, se quando se jubiles rescatas montantes pequenos como complemento mensal de pensão de publicar, você terá quase de certeza que o custo fiscal do resgate, será menor que o da poupança fiscal durante a fase de poupança.

Além disso, há que ter a potencial mais-valia do plano, não se tributa como ganho patrimonial e que a divergência fiscal também se reporta algum benefício.

Em qualquer caso, e tendo em conta o comentado, só te recomendo fazer um plano de previdência e contribuir, se você ganha mais de 50.000€ brutos anuais. Sob essa cifra é um pouco fazer o tolo. Melhor economizar de outra forma.

Sim, tudo isso tendo em conta a tributação atual. Que, como bem sabes mudou e provavelmente mudará nos próximos anos. Em teoria, como o tema de viver da pensão pública na velhice, estará cada vez mais complicado, deveriam incentivar a poupança privada. Além disso, o lobby bancário, lhe interessa.

Mas também é verdade, que no seu dia, o Ministro da economia Luis de Guindos, propôs algo parecido com os 401k americanos, mas rapidamente se colocou por cima, o lobby bancário e tumbaron a ideia.
Então, pode-se esperar qualquer coisa. Esse é o problema de planejamento financeiro e fiscal. Que é impossível, prever e planejar uma poupança a longo prazo, tendo em conta os incentivos fiscais, quando estes podem ser alterados a qualquer momento.

De modo que, em resumidas contas, a única coisa que fica claro, é que você deve começar a economizar para a aposentadoria o quanto antes e com o veículo de investimento que preferir. Só te convém fazer um plano de pensões se tiver alta renda e se quando você jubiles, não ter que depender exclusivamente dessa poupança para viver.

Pense que se você tiver muito dinheiro, o dia em que te jubiles, se você tem outros economias dos que jogar, é melhor que não toque o plano de pensões. Oxalá possa desfrutar de todo o seu dinheiro na vida e se gastar o último euro no último dia de sua vida. Mas se você tem filhos, se importa com o seu futuro e quer conseguir algo, quando você morrer, você pode aproveitar na vida da poupança fiscal dos planos e deixar em herança bons planos de pensões. Que, além disso, por certo, estão isentos de imposto sucessório.

Que me contas, você tem plano de previdência? Você que é contra? Você faria um plano de previdência?

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