Por que você não pode fiarte de seu banco para assessorar?

A resposta mais imediata e visceral de muitas pessoas, é que não podem confiar em seu banco, porque são uns ladrões e enganam seus clientes. No entanto, se dá o paradoxo de que o aconselhamento bancário continua a ser a principal fonte de aconselhamento com uma grande diferença.

Há várias razões que explicam esta contradição. Uma delas é que é um serviço aparentemente gratuito prestados pelas instituições financeiras. Em Portugal temos também a rede bancária maior em relação à nossa população. E por outro lado é que existe um grande desinteresse da cidadania no que se refere aos assuntos de finanças pessoais.

Em resumidas contas, como é grátis, os bancos estão por todas as partes e não levamos muitas dores sobre estes temas, o aconselhamento bancário é a opção mais generalizada para muita gente.

A realidade é que toda esta situação tem degenerado em um clima de relacionamento com o banco, bastante hostil. Apesar de que os bancos fazem esforços, ainda continuam fazendo muitas coisas de errado. E desta forma é muito difícil restaurar a confiança. Gostaria de saber realmente porque você não pode fiarte de seu banco para assessorar?

Você se coloca na defensiva cada vez que você chama um funcionário do banco? Pensas que te tentam enganar cada vez que te oferecem um produto no banco? Você acha que toda a vez que insistem muito em contratar um serviço ou produto é que é ruim para você?

Não há que levar as coisas a extremos. Talvez não se sinta tão exagerado, mas não me negarás que há um grande receio para a banca comercial. E o certo é que, como acontece sempre não são todos iguais. Mas nem os bancos, nem as pessoas que trabalham neles. Por isso há que saber diferenciar.

Hoje em dia, encontrar uma pessoa honesta e de confiança em um banco é um tesouro. Nesse setor, infelizmente, encheu-se desde há anos, muitos piratas com dom de gentes e boas maneiras decoradas com laço, que são profissionais de venda sem escrúpulos.

Para mim é muito engraçado, cada vez que ouço algumas instituições financeiras anunciar aos quatro ventos que eles fazem banca de clientes e não de produto. Não é mais do que uma moda de modelo de negócios. Mas, infelizmente, a ideia subjacente é a mesma de sempre. Porque, se não se avança o negócio e se perde quota, perigo a sobrevivência. E, no final, prima o produto. Este é um dos cancros do mesmo sector.

O maior perigo que existe na banca, na verdade, é a confiança. A confiança nas pessoas. Porque essa rachadura em nossas defesas do desconhecido, acaba entrando apenas o que não queríamos.

Certamente esse empregado, em que confias e que um bom dia termina traicionándote, não queria fazê-lo, mas as circunstâncias obrigaram-no. Também, pura e simplesmente, há pessoas más. Lembre-se que o empregado com que você se relaciona, seja um diretor ou qualquer outra pessoa com responsabilidade, não é dono do negócio. Ao final deve-se a alguns interesses que estão acima de sua pessoa.

O que acontece para que se faça um abuso de confiança? A resposta são os objetivos. Apesar de que os órgãos reguladores, cada vez tentam desvincular a comercialização de determinados produtos e serviços bancários para a remuneração variável, no final, está caindo em pecado pelo incentivo.

Sobrevivência do negócio bancário, a pressão comercial das redes e da ambição pessoal para se atingir os objetivos, são três as causas que ameaçam seus interesses como cliente de um banco.

Em seguida, existem outros fatores secundários, como são os conhecimentos. Não há mais do que pegar uma oferta de emprego de há dez anos para entrar em um banco, para compreender o que acontece hoje. O fundamental dom de gentes e perfil relacional. E, em segundo plano, acostumado a trabalhar com pressão por resultados e com disponibilidade para mudar de residência.

Muitos bancos tinham o mau hábito de deixar que se vença a confiança dos clientes de um escritório, calzarles tudo o que pudessem e depois mandar a 500 km de distância para repetir a operação e que o cliente não pudesse pedir explicações ao novo que chegava.

Hoje o setor está mais profissionalizado. A crise também foi cuspindo muitos empregados bancários. Às vezes os maus, mas também os bons. Uma pena. Todos os que existem não são os melhores. Mas há qualidade. O problema é que você também faça um esforço para entender. E que as conversas com o banco sejam úteis. A única forma de aproveitar o aconselhamento bancário, é que se preocupar em aprender coisas novas e possa aproveitar em seu assessor.

Você tem que entender que se você é cliente de uma entidade que lhe demandas de um serviço de aconselhamento patrimonial e só te oferece o seu produto, nem se é grátis ou está recebendo o melhor consultoria do mercado.

Não seja ingênuo e não lhe pedir para seu banco comercial que te trate como a boutique financeira que cobra diretamente do seu cliente. O aconselhamento financeiro bancário é outra coisa. E não excludente de outras formas de aconselhamento, internet, consultores independentes ou especializados.

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