Pode resultar da crise da banca italiana em um risco sistémico?

Quando não é uma coisa é outra. O caso é que sempre há uma desculpa que faz tremer os mercados e, com isso, os investidores e poupadores.

Depois do Brexit, o resgate à banca italiana voltou a ligar os alarmes de muitos poupadores, que mais uma vez se perguntam se podem ficar tranquilos, com seu dinheiro, os bancos espanhóis.

Há quem acredita que a crise financeira da banca italiana, pode resultar em um risco sistêmico, que afeta a banca de toda a Europa. Já que alguns o consideram um sintoma dos problemas que escondem os bancos após a eclosão da crise de 2008 e as conseqüências de uma política monetária expansiva do BCE.

A possibilidade de que exista um risco sistémico e que os problemas da banca italiana salpiquen a outras entidades de outros países, aumenta à medida que os dias passam. Depois de tudo que vivemos em um mundo globalizado, onde tudo está interligado e os problemas podem viajar de um canto do mundo ao outro traspasándose o efeito dominó de fichas que empurram a outras ao cair.

Você Está justificado o medo de um contágio da crise da banca italiana? Existe o banco europeu de risco sistêmico para os bancos italianos? É razoável pensar que isso possa ser transferidos para os bancos espanhóis? Vocês estão seguros de poupança nos bancos espanhóis?

Muita gente volta a dizer, que com as taxas de juro a zero ou negativos, já não faz sentido manter as economias no banco. E, ainda mais, quando precisamente essa preocupação, pode causar uma verdadeira debandada que faça cambalear para os bancos. Sobre tudo quando não está claro se os riscos dos bancos italianos podem saltar de um país para outro e ser transferidos para os bancos espanhóis.

Ao fim e ao cabo, por dizê-lo de algum mudo todos têm algo de todos em seu balanço. E em maior ou menor medida em todo o mundo é afetado quando um banco cai.

Seja por efeito de contágio, por risco de um pânico bancário, isso está sempre lá e é inerente à essência de todo o sistema financeiro.

Mas vamos ao caso concreto da banca italiana. Para avaliar adequadamente a possibilidade de risco sistêmico, há que entender qual é a origem do problema.

Os anos antes da crise financeira mundial, entre o ano 2000 e o ano de 2007, a banca italiana concedeu quantidades de empréstimos sem a eficiência, nem o critério mais adequado.

O que hoje se reflete na elevada taxa de inadimplência da banca italiana, que atinge 15%.

A maioria desses empréstimos em incumprimento ou em atraso, estavam provisionados, exceto 40.000 milhões de dívida. Pode parecer um número muito grande, mas vem a ser o mesmo que o resgate do Bankia.

O caso é que a União Europeia disse que a partir do resgate bancário e o dia seguinte o presidente de Chipre, a próxima vez que acontecer algo assim na Europa, os pratos quebrados os iam pagar os investidores. E que não se rescatarían mais bancos.

Mas no caso da banca italiana, acontece que esses 40.000 milhões de dívida, estão em planos de pensões e fundos de investimento, que transfere o risco para os investidores privados. Pessoas da rua que tem ali depositados suas economias.

Por essa razão, não parece muito provável que exista um risco sistémico na banca italiana. Primeiro, porque o volume de dinheiro é muito pequeno. Especialmente se comparado com o PIB de Itália é uma insignificância. E, segundo, porque a UE vai engolir com o resgate excepcionalmente, porque não se veriam afetados investidores profissionais, mas a varejo.

De modo que, se há bailout, não parece razoável pensar em um risco do sistema. Não vai haver contágio. Pelo menos desta vez. Porque ele vai deixar que a Itália fazer um resgate a nível estadual com a vista grossa da União Europeia. E, portanto, isso não vai afetar a Europa ou o sistema financeiro português em nenhum modo. Por outro lado, apesar dos problemas que você possa ter e o deteriorado do negócio bancário, fizeram seus deveres estes anos. E está completamente saneado.

Então eu não me preocuparia o risco sistêmico, que pode desencadear a banca italiana, porque não é para tanto. E têm mecanismos suficientes para fazer com que isso fique em nada e o cidadão comum nem é bem o que aconteceu. Dentro de um par de meses, já não se lembrará ninguém de nada de tudo isso e estaremos preocupados com o próximo foco de instabilidade.

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