Os segredos de financiar um carro com o empréstimo do concessionário ao descoberto

Após encadear 21 meses de crescimento nas matrículas de carros, pode-se dizer que o setor do automóvel vive um momento doce. Já em 2015, vai a caminho de um milhão de automóveis vendidos, o que permitiria alcançar níveis precrisis de 2008.

Os planos PIVE, as facilidades de crédito e o excesso de liquidez, unido a baixas taxas de juro, tem favorecido o crescimento das vendas, em um setor que pode dizer que já superou a crise.

E é que concessionárias, têm feito um grande esforço para dar o máximo de facilidades para financiar um carro, com o objetivos de somar mais unidades vendidas. Perdeu até mesmo a posição dos bancos em relação à concessão de empréstimos de carro, graças aos descontos que oferecem as marcas.

No entanto, não é ouro tudo o que brilha. Por trás dessas poderosas ofertas de financiamento de carro dos concessionários, se escondem muitas armadilhas escondidas quer conhecê-las?

Olha, se chegou a um ponto em que o sector automóvel, em que a margem sobre as vendas de unidades era zero ou até mesmo a perda. E se supeditaba a rentabilidade à manutenção do veículo em anos posteriores, venda de imagem de marca e boca-a-boca ou serviços acessórios.

Mas uma vez começou a despertar para o mercado, as marcas viram claro. O negócio de financiamento de carro era a chave para ganhar dinheiro e as financeiras entraram forte na concessão de empréstimos.

Ter o dinheiro para pagar a pronto ou não, o gancho para que financies a compra de veículo, é o desconto sobre o preço final. Descontos importantes segundo os modelos e marcas. Mas, ao final, falamos de entre 10 e 20%. Muito dinheiro. O que, logicamente, tem induzido as pessoas a entrar em empréstimos de financeiras.

No entanto, um pode ficar assustado se analisa com cuidado as ofertas de financiamento de carro dos concessionários com detalhe.

Se a banca esta estigmatizada pelas más práticas bancárias anteriores à crise, os concessionários e financeiras das marcas deveriam estar na fogueira.

Olho, não digo que a culpa seja dos que colocam o dinheiro, mas sim dos comerciais, que, no final, são os que expõem as condições de financiamento e venda.

Já tinha referências de várias pessoas a respeito, mas, recentemente, eu vivi em minhas próprias carnes em várias experiências com diferentes marcas e fiquei atônito.

Não vi uma forma de comercializar um financiamento tão opaca como os concessionários, hoje em dia, em toda a minha vida. Se em um banco informasen sobre as condições de financiamento de carro, como o fazem a maioria de concessionários, tenho certeza de que expedientarían ao banco e impondrían sanções ao empregado.

De certo modo, eu entendo. Porque os vendedores de carro dos concessionários são isso, os vendedores de carro. Não consultores financeiros. Mas uma coisa é utilizar técnicas de venda, e outra muito diferente enganar com o financiamento de forma descarada para conseguir colocar uma unidade.

As vendas muitas vezes fecham-se em quente. E na venda de carros, jogar muito com o emocional com o racional. E com os empréstimos de carro você pode coar gols de escândalo.

Se você observar, quando você pede um orçamento para a compra de um carro, só se falam do desconto para o financiamento e o sumo se falam de cotas. Bem, isso e o mínimo que você tem que pedir para que você faça a redução do preço. E, além disso, insistem muito em pedir emprestado mesmo que tenha o dinheiro.

De informação pré-contratual, guia personalizada da oferta de financiamento de carro, etc., nada de nada. Bom, é mais, se quiser saber o tipo de interesse que se financiamento você terá que perguntar várias vezes e talvez nem tenha recebido uma resposta, porque o vendedor nem sabe. Onde está o Banco de Portugal? Por que não supervisas às financeiras de carro com o mesmo zelo que os bancos para proteger o consumidor?

Há bastante obscurantismo com as condições, ao financiar um carro. Às vezes é dada a taxa de juro nominal que não a TAE. E a cota vai envolvida uma barbaridade de coisas, que incluem seguro de protecção de pagamentos, seguros de vida, comissões, seguro do primeiro ano, e em qualquer outro extra que ofereça o concessionário.

Mas tudo se paga financiado e sem desagregação por produto. Jamais te darão o custo individual de cada seguro. De tal forma que, ao final, o único que se apresentam é a taxa ao mês. E onde você pede 6.000€ no final se têm prestado 7.200€. Súmale os interesses. Às vezes você pode cancelar entre 18 e 24 meses. Mas costuma ter comissões de cessação antecipada. Entre 1% e 2%. Mais caros do que os bancos. Se você tomar contas, o desconto é um pouco menos do que os juros sobre o valor mínimo para financiamento, com o qual não tem muito sentido para o detalhe.

E o que muita gente não sabe é que quando financiam um carro com o concessionário, cedem a reserva de domínio a marca. O dia que você quiser vender seu carro, primeiro à marca e se eles não o querem, depois, ao mercado. É como uma hipoteca, que há de levantar sobre a propriedade do veículo quando você cancelar o empréstimo.

Você já teve alguma experiência comprando carro recentemente? Você se ofereceram para financiar o seu carro? Você acha que era uma boa proposta e que lhe explicaram claramente?

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