Os riscos para o dinheiro com a independência catalã

O que acontecerá com o meu dinheiro, se a Catalunha se independente? Como é possível um cercado na Catalunha? Você sairia Catalunha do euro? Você teria uma desvalorização na Catalunha? Você deixaria de cobrar as pensões dos reformados catalães?

São muitas as preocupações que esta representando a possibilidade de que se traduza a independência catalã. Pode ser que aconteça de forma iminente ou que mais tarde ou mais cedo acabam chegando. Mas a preocupação com os riscos para o dinheiro dos cidadãos da Catalunha continua latente.

Não há nada pior para alimentar o medo, a incerteza e a falta de informação para desencadear o pânico. Por isso, vou tentar resumir as implicações econômicas que poderia desencadear a curto e médio prazo, uma hipotética independência catalã.

Para começar, o cenário da independência da Catalunha, não é o cenário mais provável, que lida com o consenso de mercado. Por que o risco de corralito na Catalunha é muito pouco viável. O que não significa que não possa vir a ser uma realidade.

Às vezes, os eventos que agitar efeitos mais devastadores, são os que não estavam previstos ou são menos prováveis. O que se conhece como cisnes negros. Então, não é prudente desprezar certas possibilidades. Já que a escalada de tensão política, nas declarações de alguns representantes perante a possibilidade de um cercado em bancos catalães, resultou na possibilidade do não-pagamento da dívida. Algo que gerou uma espiral de acontecimentos, que elevaria significativamente o prémio de risco espanhola.

Não obstante, e pela reação que está ocorrendo em muitos catalães a possibilidade de realizar um cenário com essas características, hoje o governador do Banco de Portugal, tem deixado os meios para tirar o ferro do assunto. Mas não é mais do que isso. Umas meras declarações.

Por outro lado, Luis María Linde também recordou que a independência catalã, seria a saída automática do euro e a exclusão dos fundos de liquidez do Banco Central Europeu (BCE).

E isso nos leva ao fato de que, a curto prazo, não se podem pagar, nem aos pensionistas ou funcionários. Uma situação caótica, que eu duvido que ninguém deseja.

No caso de que se produza uma saída do euro, com a independência catalã, a nova moeda poderia ancorar a taxa de câmbio do euro, como acontece em alguns países latino-americanos.

Mas é o sistema financeiro, o que realmente preocupa. Caixabank e Banco Sabadell copan algo mais do que 50% da quota de mercado em espanha. Onde BBVA seria a terceira entidade com uma posição relevante.

As duas primeiras entidades, com sede na Catalunha, estariam desde o minuto um, fora da cobertura do Fundo de Garantia de Depósitos. Ao menos até que mudem sua sede corporativa.

Nesses primeiros momentos, quando o risco de corralito na Catalunha, passaria a ser uma possibilidade remota para se tornar realidade.

Teria que esperar a que uma autoridade bancária catalã, regulase e autorizasse a atividade bancária, atribuindo fichas bancárias às instituições financeiras locais e as que passaram a ser bancos estrangeiros. Muitos bancos estudiarían, então, a conveniência ou não de manter a sua implantação no território catalão.

Se tivesse o seu dinheiro em um banco catalão tu que farias? A fuga de capitais para outras entidades espanholas ou fora de nossas fronteiras, teria início no país uma crise de solvência e de liquidez. Não é algo tão ilusório. Já vimos isso outras vezes. Só precisa de recorrer a jornais e ver o que aconteceu na Argentina em 2002. As coisas não seriam muito diferentes aqui.

É afeta em cheio o resto de empresas e negócios, com sede corporativa em Catalunha. Se algum jogador, a economia da Catalunha volatilizaría. O resto da Espanha, é um dos principais consumidores de produtos fabricados por empresas com sede em espanha. O levantamento de pautas diminuiria o consumo e aceleraria a deslocalização de empresas. Com o conseqüente aumento do desemprego na Catalunha.

Mas as consequências económicas da independência catalã não ficariam lá. Muitas gestoras de fundos de investimento, operam com diferentes cenários, onde eles vêem factível uma escalda do prémio de risco espanhola até os 250-300 pontos básicos. Há quem o veria na chave de oportunidade. Pois o BCE vai manter o seu compromisso de continuar a comprar dívida pública. Mas, sem dúvida, a confiança dos investidores e capitais estrangeiros, seriam seriamente doendo.

Isso já é sentida nos mercados de renda variável, onde começam a deduzido potenciais efeitos adversos, que acrescentam mais lenha ao fogo, do ambiente de incerteza e volatilidade que vivem os sacos estas semanas.

Ninguém sabe com exatidão, o impacto que pode vir a ter a independência catalã, sobre o dinheiro dos poupadores da Catalunha. Nem os danos colaterais que podem vir a impactar nos clientes de outros bancos espanhóis, a curto prazo.

Os riscos existem, mas as consequências de uma Catalunha independente não são apenas econômicos. Mas, infelizmente, por trás de tudo isto, não há política, nem ideologia dominante. Simplesmente poder econômico e mais dinheiro no bolso de alguns poucos.

Você deixará de trabalhar com um banco catalão? Você acha levar dinheiro para fora de Portugal? Você acha que são reais os riscos de uma independência catalã?

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