O que poupam e como investem os espanhóis?

Economizar não é fácil. Tem que se privar de gastar o dinheiro que tem e mantê-lo no futuro para outros planos. Além disso, fazemos mal. Porque de acordo com entramos, vamos gastar e o que sobra ao final do mês, se é que sobra alguma coisa, é o que é destinada à poupança.

Mesmo assim, a poupança de médio mensal de dois terços espanhóis que conseguem poupar algum dinheiro, é de 200€ por mês. Mas o que poupam e investem os espanhóis esse dinheiro? O que ganhamos? Onde colocamos as nossas economias?

É curioso, porque, segundo países, há muitas diferenças nas formas de poupança e investimento. Algo que tem a ver com a cultura financeira, com o nosso sistema financeiro bancarizado, bem como as nossas próprias crenças e preconceitos.

Apesar das baixas taxas de juro, em Portugal continuamos preferindo guardar as economias em contas de poupança, contas remuneradas e de depósitos a prazo fixo. 43% de nossas economias dos mantemos depósitos em dinheiro.

Em comparação com os nossos vizinhos europeus e os principais países desenvolvidos do mundo, somos os que temos mais dinheiro em numerário e depósitos, atrás apenas da nossa vizinha Portugal por muito pouca diferença e atrás da Grécia, que se destaca amplamente com dois terços de poupança das famílias neste tipo de activos.

Não sei se significa alguma coisa, mas não acho que seja por acaso que os três primeiros sejamos países mediterrâneos da Europa periférica.

No outro extremo da economia dos lares espanhóis, temos uma das que dizem as pesquisas que são uma das principais preocupações dos cidadãos, a poupança para a aposentadoria.

Embora para muitos de nós preocupado com a economia a longo prazo para quando nos chegar a idade de aposentadoria, não temos muito patrimônio em fundos e planos de pensões, dentro do conjunto de nossa estrutura de poupança. Apenas um 5,80%.

Talvez a explicação seja uma das principais críticas aos planos de fundos de investimento da indústria de gestão de ativos de nosso país, a baixa rentabilidade ou lucratividade abaixo dos índices de referência.

Mas quando você olha em que tipo de planos de pensão investem os espanhóis, maioritariamente, você se dá conta de que esse não é o motivo.

Novamente você vai encontrar, com que o nosso perfil conservador nos leva a decantarnos maioritariamente por planos de pensões de gestão passiva, garantidas ou diferentes tipos de planos de pensões mistos.

Mais uma vez me surpreendo ao verificar que os mais vendidos são os planos e fundos de pensões das gestoras da grande banca comercial. E que, no entanto, quando vejo os melhores planos de pensões em categorias de planos de previdência como mistos moderados ou mistos agressivos, me encontro com gestoras pequenas ou boutique, com pequenas redes de distribuição de direitos autorais, como por exemplo, Previsão Nacional de Saúde.

Levamos no DNA de nossa genética, economia, decantarnos os produtos que nos oferecem os grandes bancos comerciais no lugar de selecionar os melhores veículos que existem no nosso mercado.

Algo que se repete quando eu olho para o patrimônio que há em fundos de investimento e instituições de investimento colectivo. Agora mesmo estamos em números recorde, 264.000 milhões de euros em fundos. A quarta parte do que temos em depósitos e o 13,10% das economias de todos os espanhóis.

Os fundos de venda, novamente, são os dos bancos. Quando eles tendem a ser, em sua maioria, os menos rentáveis. E, além disso, chama a atenção que tenha tanto dinheiro em fundos de gestão passiva ou de rentabilidade-alvo. Muito maus fundos e com altas tarifas. Mas o que me pergunto é se investe neles, porque é o que nos vendem ou vendê-lo porque é o que os poupadores e investidores espanhóis exigem ao mercado.

Quando buscamos qualidade, encontramos um bom punhado de nomes de pequenas gestoras, muitas delas estilo value. Tipo Metavalor, Magalhães value, Bestinver, EDM, AZ Valor, as grandes gestoras internacionais e muitas outras. No entanto, apenas representam uma pequena percentagem da indústria de fundos no Brasil.

Paradoxalmente, caímos em uma outra contradição já tradicional na história da economia em Portugal. E é que preferimos investir na bolsa de valores diretamente comprando ações através de fundos de investimento.

Eu achei que já muitas vezes, pessoas que você vê mais seguro comprar ações de blue chips espanhóis ou qualquer ação espanhola por sua conta, do que fazê-lo através de um fundo gerido por profissionais. Um 25% de nosso poupança que temos em investimento direto.

E isso, evidentemente, leva-nos a outro de nossos males. Com bastante diferença com relação a qualquer dos principais países desenvolvidos do mundo, em nossa estrutura de poupança, os ativos não financeiros que pesam mais de 70%. E, além disso, nós amamos o tijolo.

Mesmo apesar da crise, continuamos a ver o imóvel como banco de poupança por excelência. E a maioria dos que dizem, são unânimes em identificar-se como pessoas com um perfil de risco conservador ou nada tolerantes ao risco. Quando vimos a crise perder mais de 50% do valor de muitos imóveis. Não se entende, mas é assim.

E por outro lado estariam os seguros e outro tipo de activos residuais, que ocupam a nada desprezível número de 12% de toda a nossa economia. A indústria seguradora também fez o seu trabalho e canaliza uma boa pitada de todo o nosso poupança, em parte também para cobrir finalidades, como a aposentadoria e a poupança a longo prazo.

Assim, o que posso te dizer é que se você me dizer como economiza e em que invista, e posso te dizer mais ou menos a rentabilidade que pode chegar a esperar. E já adiantou que se faz mais ou menos o mesmo que a maioria, você não pode esperar resultados muito diferentes dos outros. De modo que tem direito a apresentar uma queixa, mas o que não pode fazer é não mudar nada da maneira que você move seu dinheiro.

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