O que fazer quando se afundam os mercados?

Desde a queda do Lehman Brothers, não tínhamos tido um colapso dos mercados semelhante ao que temos vivido, depois de saber o Brexit.

Não são situações estritamente análogas, já que, embora as conseqüências para as bolsas sejam semelhantes, as causas são diferentes e, portanto, as diretrizes a seguir não são necessariamente idênticas.

Uma coisa é um crack na bolsa de valores, que ocorre como consequência do estouro de uma bolha e outra é um cisne negro ou um evento não previsto de alto impacto nos mercados.

O certo é que tenha sido aleatório ou não, o Brexit foi cozido com uma infeliz combinação de circunstâncias, que permitiu que tenhamos visto umas descidas tão lindas as bolsas.

Apesar de o ajustado dos resultados, ainda que todo o mundo sabia o que iria acontecer nos mercados após a saída do Reino Unido da UE, na verdade, ninguém o esperava. E isso também faz com que as reações sejam tão violentas. O que fazer quando se afundam os mercados?

Há uma semana, o mercado se assustou, descontando parte de degradações que poderão ocorrer em bolsa se havia Brexit. Mas os dias anteriores, as pesquisas e o otimismo real ou artificial do mercado, permitiu recuperar o que foi perdido e gostosas altura. Altura a partir da qual poder-a cair com força, como tem acontecido.

Incrível, mas é verdade. O Brexit, provocou um daqueles dias de saco que não se esquecerão em décadas. E cujo desenvolvimento posterior vai trazer de cabeça a mais de um. Pela volatilidade e pela cadeia de eventos que pode protestar a partir de agora.

Mas isso só o tempo dirá. Agora, certamente, o que lhe interessa é saber o que fazer com seus investimentos e como agir com o seu dinheiro quando se afundam os mercados. Então eu vou lhe dar uma série de diretrizes, que são válidas para praticamente qualquer situação ou causa que resulte em um colapso das bolsas. E que você pode salvar como um manual de emergência para as próximas ocasiões.

Por trás de um colapso do mercado como o de hoje, há sempre uma causa objetiva de maior ou menor calado que o explica e que o mercado desconta automaticamente. E a outra parte do impacto que ocorre, bem como os mínimos de mercado que podem chegar a ser atingido, se explicam pelas emoções. O medo e o pânico. Que muitas vezes desencadeia comportamentos impulsivos e irracionais dos investidores.

Coisas do tipo “eu vou perder tudo”, “eu tenho que vender porque já não aguento mais”, “tudo é fatal”, “este fundo não faz mais do que reduzir”, “não vejo isso claro”, etc. E uma infinidade de argumentos que se repetem, que o levam a agir sem julgamento nenhum, desencadeando um estouro de vendas que só faz agravar os descidas.

O dia crítico que o normal é vê-lo todo preto, muito preto. E que uma espécie de miopia financeira se apodere de ti e não te deixar ver além da tela do computador, dos titulares do telejornal, etc., Mas você tem que ter claros alguns pontos.

1-O dia em que se afunda o mercado é sempre o pior dia para vender. De fazê-lo, em todo o caso, é melhor esperar alguns dias. Nada baixa indefinidamente, ao igual que nada sobe eternamente.

2-Estatisticamente depois de as maiores quedas nos mercados, vêm as maiores subidas. Se você sais-te perderes. E aí sim que é impossível recuperar o que já perdeu.

3-Nunca é o fim do mundo. Aconteceu incontáveis vezes e continuará acontecendo. A não ser que se solte a terceira Guerra Mundial, um meteorito gigante impacto na terra ou nos invadam os extraterrestres, mais tarde ou mais cedo, o mercado volta para a média em tendência e colocar as coisas em seu lugar.

4-Mantenha a calma. Em dias como estes, ter aconselhamento profissional é importante. Se o seu consultor faz bem seu trabalho, devem chamá-lo, dar a cara e servir de contrapeso com suas emoções, explicar-te o que se passa.

Não se deixe levar pela ousadia e não deixe que ele se meta na cabeça isso de vender tudo para estar tranquilo, porque é um grande erro.

Normalmente as melhores oportunidades de investimento ocorrem em momentos de pânico do mercado. Precisamente porque muita gente vende sem conhecimento, é possível comprar bons negócios por pouco dinheiro.

Mas atenção, não confunda valor e preço. Às vezes, os ruídos elétricos são muito grandes, mas são justificados. Que uma ação tenha baixado um 20% não significa que esteja barato. Igual é o que deve valer uma vez descontado dos acontecimentos. Outras vezes, efetivamente, é só pânico. E, às vezes, a descida é justificado, mas salta injustificadamente. O Complicado? Se fosse fácil não teria a ganhar dinheiro investindo.

O que todo mundo sabe não vale nada. Eu não me canso de repetir, é em momentos de incerteza, quando se pode fazer dinheiro. Mas como é difícil acertar e há empresas que em todas as crises desaparecem, eu insisto muito em investir em índices e diversificar.

Por isso, outra coisa que você pode fazer quando se afundam os mercados, é protegê-lo para o próxima vez, com um sistema de investimento. E isto leva-me à estratégia de fundos indexados ou a carteira permanente.

Em qualquer caso, o que eu recomendo quando precisou colocar em risco, é assumir o compromisso do horizonte de tempo recomendado para o seu perfil e objetivo de rentabilidade. De tentar não tomar a decisão de investimento em um único momento e de economizar, de forma sistemática, com assinaturas periódicas, eliminando, assim, o viés das emoções. Assim reduzirá também a volatilidade de seu investimento. Não tome decisões precipitadas em dias-chave, e lembre-se de que aconteça o que acontecer, tudo se dilui no tempo.

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