O Cuidado com a taxa de sucesso dos fundos de investimento?

Estamos em um contexto em que os fundos de investimento, são de rua, o produto estrela com o que gerir as economias. Quem mais e quem menos, estão entrando em algum fundo, dirigido por as recomendações do seu consultor ou gestor comercial nas agências bancárias.

É um negócio muito rentável para os bancos, especialmente em um momento em que as instituições financeiras lhes custa muito trabalho para obter lucro com sua atividade. São as comissões associadas aos fundos de investimento, o que lhes converte em veículo de investimento estrela para os bancos e, talvez, não tanto para os poupadores ou investidores.

Se demoniza às vezes a fundos de investimento ou para a indústria de fundos, porque é uma forma de gestão de patrimónios, onde gestores, distribuidores e depositários, sempre ganhar dinheiro, mesmo que os participantes percam.

Mas realmente os fundos de investimento não são nem bons nem maus por cobrar comissões. O perigo é como dirigem as entidades distribuidoras aos seus poupadores para os fundos. Especialmente nos bancos. Será que estão bem feitos os clientes? Como são feitos de maneira adequada os testes de adequação e conveniência? Você oferece o melhor produto e com menores custos para cada cliente?

Há um conflito de interesses, o que faz pensar que os bancos só vendem aqueles fundos que mais lhes interessam por comissões como distribuidores, mas não os mais adequados a cada cliente. E por essa razão alguns fundos introduzem a comissão de sucesso. Mas cuidado, porque pode ser uma vantagem envenenada. Agora te conto por que.

Já levamos vários anos em que o património gerido em fundos de investimento não para de crescer. No final com taxas zero, os prazos fixos e os depósitos, vencem e como não há outra coisa, o dinheiro entra nos fundos.

Bem. Mas, ao mesmo tempo que entram mais e mais investidores em fundos, se começa a exigir custos mais baixos, com a entrada de novos concorrentes e formas de investimento. ETFs, fundos indexados, supermercados de fundos que oferecem um universo de fundos, a bolsa de fundos de BME, etc., Todo um compêndio de fatores que empurra para baixo as comissões cobradas pelos fundos de investimento, por sua função de gerir o patrimônio.

E onde a média é cobrado 2% sobre patrimônio médio gerido, as gestoras são obrigadas, para descer comissões, perante a férrea concorrência e a dificuldade de justificar elevados honorários por comissões, por resultados cada vez mais pobres. Ou seja, os lucros da indústria de fundos no Brasil se estreitam cada vez mais.

Em outras partes, como nos estados UNIDOS, os investidores são um pouco mais espertos e há anos que as comissões dos fundos, a duras penas chegam em média a 1%. Mas os investidores em Portugal também estão aprendendo agora e começam a comprar comissões, exigindo comissões de gestão e depósito cada vez mais apertadas.

Até agora, as comissões dos fundos de investimento têm sido sempre um grande negócio para os bancos, porque ao trazer implicitamente e dia-a-dia no valor liquidativo do fundo, o cliente não saber o que está pagando.

Embora as comissões dos fundos e-B (total expenses ratio) não se escondem, ao não trazer, de forma direta, por assim dizer, de alguma forma, digamos que os investidores ainda não foi embora.

Para que se faça uma ideia. Imagine que você tem 20.000€ investidos em um fundo ou uma cesta de fundos, que tem uma comissão média de 1,80%. Suponhamos, além disso, que o saldo médio do fundo ou fundos, coincide com o do montante investido. Ao cabo de um ano, terá pago 360€ em comissões que se dividem entre a gestora e o banco fundamentalmente.

Se por 10€ de comissão de manutenção há quem quase mata o gerente comercial do banco, imagine-se muitos investidores soubessem o que pagam, porque lhes gerem as suas economias e, em muitos casos, lhes façam perder dinheiro.

Isso vai acabar dentro de muito pouco, porque com a MiFID II, que entra em 2018, o cliente vai ter que saber até o último euro, que paga. Mas tudo bem, enquanto isso, se vive na ignorância. Veremos, de todas as formas, como se materializa tudo isso, chegado o momento.

Enquanto isso, há quem lhe ocorreu recuperar um tipo de comissões que já existiam, mas que apenas um em cada onze fundos utilizados em Portugal. As comissões de sucesso.

Diante da pressão do setor, os bancos e gestoras descem comissões fixas. Mas para dar a aparência de transparência, introduzem uma comissão de sucesso. Para se alinhar com os interesses do cliente dizem. E, além disso, o fazem ou o que costumam fazer em fundos ou serviços de gestão delegada de carteiras de fundos Premium, a partir de determinados montantes. Até aqui tudo muito bonito.

Mas cuidado. Depende de como se implemente, a comissão de sucesso, pode ser uma vantagem envenenada para o seu bolso. Isto de as comissões de sucesso não tem nada de inovador, pois são formas de remuneração ao gestor dos hedge funds há mais de duas décadas, que levaram agora a fundos comerciais. A diferença está na forma de aplicação.

Imagine que o seu banco lhe diz, que por ser um cliente de bons ou de banca privada, com um patrimônio de X, você diz que só te oferece fundos ou carteiras de fundos Premium alinhadas com seus interesses. De modo que as comissões fixas são hiper ajustadas, mas que será cobrada em caso de fazê-lo bem, uma comissão de sucesso sobre o lucro.

Por exemplo. Colocar 60.000€ em uma carteira de fundos de gestão ativa, com uma comissão fixa de 0,75% e uma taxa de sucesso de 5% sobre o ganho no ano que se carregam em conta o primeiro dia útil de cada mês de janeiro.

A priori, parece atraente, e soa razoável. Os gestores ganham mais quanto melhor o façam. Mas ai amigo. Imagine que para o primeiro ano, os mercados estão mal e perde 10%, descendo até os 54.000€. E um ano depois o mercado recupera e sua carteira se revaloriza 10% também, levando a valorização de seus papéis até os 59.400€. Pois bem, é que passaram dois anos e tu ainda perde dinheiro, mas você tem que pagar além do computador gestor comissão de 5% de êxito sobre os lucros do ano, que são 270€. Como vai ficar?

Para que o jogo seja limpo, os bancos e as gestoras devem aplicar as comissões de sucesso, aplicando-se a cada cliente, a comissão se antes se tinha recuperado das perdas passadas. O que no mundo financeiro ou conhecido como high water mark. Cuja finalidade é evitar que paga comissões sobre resultados embora o ano tenha sido bom, se você ainda perde dinheiro no cômputo global.

Então, se de repente você vê que o seu banco começam a oferecer fundos com comissões mais baixas, mas com uma taxa de sucesso por rentabilidade no ano, entra em estado de alerta e esclarece este ponto. Se você não se aplicam a high water mark, você acha que um gestor dá o mesmo perder 5% a 25% para efeitos de remuneração variável, mas se pode ser um plus, vai tentar ganhar o máximo possível e também assumir maiores riscos. E mais, quando o ano anterior foi ruim e mais viável venha obter resultados positivos no ano seguinte para cobrar comissão.

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