Investimentos: Não Bandagens Quando seus Investimentos Vão para a Baixa

Postado por CONDUSEF. Julho 31, 2012. Mexico
Se você é dos que vendem todos os momentos de pânico do mercado, melhor não invistam em ações”. Esta frase faz parte da filosofia de um dos investidores mais bem sucedidos do mundo, Peter Lynch, que também aconselha os investidores, ter paciência e não se angustiar-se com as voltas dos mercados, e com a descida do preço das ações.
Mesmo se você deposita seu dinheiro ou você decidir fazê-lo em alguma sociedade de investimento de renda variável ―aquela que investe em ações de empresas listadas na Bolsa Mexicana de Valores, opção mais aberta a todo o tipo de investidor e com menor risco implícito que o investimento direto― você deve saber que, ao igual que a
economia, o mercado de ações tem ciclos (variações periódicas a longo prazo, a alta e a baixa, do preço das ações e que determinam a tendência da Bolsa), e que o medo de cada investidor é o seu pior inimigo nas fases de tendência de baixa do mercado acionário.
O medo, sentimento muito humano, pode ser controlado ou aumentar exponencialmente nas seguintes condições:
1. A cultura financeira. Entre mais cultura e conhecimento do mercado acionário, menos reações de medo e mais decisões racionais e inteligentes de investimento.

Ao fim de março deste ano, a Comissão Nacional Bancária e de Valores (CNBV) havia registrado 196,206 contas de investimento geridos pelas Casas de Saco, ou seja, estas são as pessoas que investem de forma direta nos mercados financeiros. Isso sem considerar que algumas pessoas podem ter mais de uma conta, o que reduziria ainda mais o número de participantes.
De fato, a participação das pessoas nas sociedades de investimento também é reduzida, pois ainda persiste o temor de muitos mexicanos de mudar de produtos bancários tradicionais (conta poupança, nota promissória) outros instrumentos potencialmente mais rentáveis, mas que exige um maior conhecimento e compreensão de como funcionam, quais são as suas vantagens e quais são seus riscos.
A longo prazo, a Bolsa foi uma das opções que tem oferecido rendimentos superiores a quase qualquer outro tipo de investimento. E uma boa forma de investir na Bolsa é através de um fundo de investimento indexado ao IPC ou o Naftrac que é um investimento diversificada (inclui as 35 ações que integram o principal índice acionário da BMV, e na mesma proporção) e de menor risco que a opção de só investir em uma ação.
2. Definir o seu perfil. Conhecê-lo bem facilita a seleção de instrumentos de investimento adequados para concretizar seus objetivos financeiros.
E é que a maioria das pessoas querem saber, por exemplo, qual fundo de investimento é o que paga o melhor desempenho para colocar o seu dinheiro justamente esse, ou qual é a ação que mais ganhou ou o que está na moda. O grande erro! em primeiro lugar rendimentos passados não garantem rendimentos presentes ou futuros, e em segundo lugar, deixamos de lado o perguntar que nível de risco leva implícito o fundo ou a ação que tem sido mais rentável.
De acordo com os especialistas, não podemos nem devemos separar a relação desempenho-risco. E o risco tem muito a ver com nosso perfil de investidor, pois indica o nosso nível de tolerância, e como vamos reagir diante de circunstâncias adversas do mercado acionário.

Se não sabemos e tomamos decisões de investimento pouco informadas e analisadas, abrimo-nos a assumir riscos que, em um cenário de muita incerteza ou volatilidade, levar-nos a agir presas do medo e incorrer em significativas perdas patrimoniais que, racionalmente, podiam ter sido evitados.
Por exemplo, no final de 2008 e boa parte de 2009, muitas pessoas que tinham investido seu dinheiro em sociedades de investimento de renda variável entraram em pânico por isso que estava acontecendo na Bolsa.
Começaram a vender suas ações. Mudaram-Se para fundos de dívida e até mesmo preferiram sair dos fundos para refugiar-se em instrumentos que mais conheciam e eram vistas como mais seguros: os bancários.
Não obstante, tiveram que pagar um custo financeiro por estas decisões, o que é que há que ter sempre presente que os episódios de baixa no preço das ações não são perdas reais para os investidores, tanto que estes não as venderem. Aqueles que saíram aterrorizados da Bolsa no pior momento —o de mais baixa no preço das ações— e não teve estômago para ver refletidos em seus estados de conta a diminuição virtual de seu capital investido, mesmo quando, provavelmente, o seu investimento tivesse um horizonte de longo prazo, por exemplo, para 10, 15 ou 30 anos. No entanto, ignorando o seu plano de investimento decidiram “vender” antes de ver seu capital pulverizado com as quedas da Bolsa de Valores.
Agora, haverá aqueles que decidiram sair porque não tinha mais opção, talvez tinham que fazer uso desse dinheiro em poucos dias ou semanas. Nesse caso, a estratégia de investimento que adotaram não foi a correta, pois, no seu afã de ganhar o maior rendimento possível —sem medir o risco—, investiram em uma opção de longo prazo, os recursos que estavam a utilizar no curto prazo. Definiram mal seus objetivos e estratégias financeiras a seguir, e assumiram um nível de risco que não estavam em condições de tomar.

No mundo dos investimentos, o temperamento se manifesta pela forma em que cada um se deixa levar por emoções quando se tomam as decisões. Exemplo, comprar e depois ter medo.
Os mercados sobem e descem, o importante é resistir ao cumprir nossas metas, e para isso há que investir com a cabeça, não com o estômago.
William J. Bernstein, em seu livro “Os quatro pilares de investimento”, destaca-se como um deles o fator psicológico em investimentos, e aconselhados a não participar no “comportamento de rebanho” que alimenta os auges e quedas nos mercados financeiros: não comprar quando todos estão a comprar e não vender quando todos vendem. Se o investimento é a longo prazo, e conta com uma boa diversificação, não há que sair ante o primeiro sinal de problemas.
Bernstein salienta que de acordo com o perfil de investidor que tenha, você pode considerar investir em certas proporções de seu capital.
E é como diz Lynch: “Todo mundo tem cérebro o suficiente para ganhar dinheiro na Bolsa, mas nem todo o mundo tem o suficiente estômago”.
Muitos investidores vendem ações com base em emoções como o medo, e não porque é a decisão “lógica” em um determinado momento.
De fato, o medo de alguns investidores (os menos informados) é o que gera oportunidades para os outros, os que estão bem informados e tomar decisões com base em critérios objectivos.

Faça o download do pdf deste artigo, clique aqui
Fonte:
http://www.condusef.gob.mx/Revista/index.php?option=com_content